O Refinador de corações

O Refinador de corações

05/06/2021 0 Por Cris Freitas

Jemima não se sentia muito bem. Ela era uma garotinha alegre e brincalhona, porém nesses últimos dias olhava para seus brinquedos e eles pareciam ter perdido o seu colorido. Nas refeições, somente lambiscava dando umas poucas colheradas no alimento. Nem mesmo batatas fritas, suas preferidas, eram capazes de fazê-la comer com gosto. Bob, seu cachorrinho, se enroscava em suas pernas a chamando para brincar. Ela, entretanto, o mandava sair.

Rute, a mãe da menina, já havia, é claro, percebido a tristeza da filha. E sabia exatamente o motivo. Há duas semanas a avó paterna de Jemima havia falecido. Uma pandemia causada por um vírus novo se alastrara em seu país e a avó havia sido contaminada. Depois de algumas semanas no hospital com uma infecção de pulmão, causada pela doença, ela não resistira. A família toda sofria com a perda.

Desde que Jemima era ainda bebê, a avó sempre cuidara da neta com muito carinho e amor. Ela costumava cantar lindas canções que falavam do amor de Deus para ninar a pequena. Se fechasse os olhos, Jemima era capaz de ainda ouvir a doce voz da avó a entoar um cântico, o que lhe apertava mais o coração naquele momento. A menina também se lembrava das horas que passara ao lado da avó preparando deliciosas receitas na cozinha. Foram tantos momentos felizes juntas!

Rute, atenta aos sentimentos da filha nessa situação tão difícil, constantemente a abraçava e conversava com ela, mas nada parecia consolá-la.

Neste dia, a mãe se sentou junto da filha e lhe ofereceu um suco:

– Não quero, não estou com vontade. – replicou a menina.

-Filha, beba só um pouco. Você precisa, está ficando muito fraca.

– Mas mãe, sinto uma coisa muito ruim em minha barriga e parece que tem um buraco em meu peito! Será que eu vou morrer também?

– Não minha filha, é natural você se sentir assim. A vovó nos faz muito falta, ela era uma pessoa muito importante para nós a quem amávamos. Isso que sente é saudades dela. Todos nós sentimos.

– Porque ela se foi mamãe? Queria que ela estivesse aqui. Parece que meu coração ficou tão pesado…

– Jê, sei que é difícil para você entender, mas Deus sabe o que faz e Ele usa todas as coisas para o nosso bem. Acreditar nisso não diminui nosso sofrimento, mas nos dá força para suportarmos.

– Não mamãe, isso não é verdade!! Como ficar sem a vovó pode ser bom para mim?? – a garota disse em um tom exaltado e com lágrimas nos olhos.

Nesse momento uma ideia brotou na mente de Rute e ela disse a filha:

– Jemima, amanhã iremos visitar um amigo meu, e talvez você entenda um pouco do que te digo. – a mãe saiu dali e foi fazer um telefonema.

A garota ralhou um pouco porque não queria encontrar pessoas, principalmente um amigo de sua mãe que nem conhecia. Porém, por fim, acabou concordando.

No dia seguinte, pela manhã, as duas foram até o centro da cidade e pararam em frente a uma oficina. Entraram ali e um homem com cabelos castanhos e uma barba farta e bem aparada as recebeu com um sorriso simpático.

Leia o emocionante final dessa história no livro “O bom tesouro do coração”

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