A multiplicação da fé

A multiplicação da fé

25/06/2020 0 Por Cris Freitas

            Era domingo e, como de costume, Bartolomeu levantou-se cedo, vestiu sua túnica já surrada de tanto uso e comeu um pequeno pedaço de pão, um pouco murcho, mas ainda bom. Preparava sua vara de pesca quando sua mãe, surgindo da cozinha, perguntou-lhe:

– Aonde vai hoje filho?

– Combinei com os meninos de pescar.

– Voltam logo?- a mãe perguntou.

– Acho que não, vamos passar o dia por lá.

– Então, vou preparar algo para comerem.

A mãe de Bartolomeu pegou uma cesta e colocou nela sete pãezinhos de cevada e algumas frutas, das poucas que lhes restavam. Bartolomeu olhou de soslaio para a despensa quase vazia e, com tristeza, disse à mãe:

– Vai faltar comida para você e Tomaz!

– Não vai, meu filho. Deus nunca deixará nos faltar nada de que necessitamos, pois Ele prometeu. Pegue, pode levar. Eu e seu irmão ficaremos bem!

– Você sempre diz que nada faltará, mas, pelo que eu vejo, vai chegar o dia em que não teremos nada para comer. Desde que papai morreu, as coisas tem sido difíceis aqui em casa. O que a senhora ganha com as costuras mal dá para vivermos! E eu ainda sou apenas um aprendiz na oficina do Sr. Eleazar.

– Creia em Deus, Bartolomeu, pois Ele é um Deus de milagres!

– Milagres!? Como pode acreditar nisso?! – Disse Bartolomeu com ceticismo.

– Eu creio pela fé. Um dia o Senhor abrirá os seus olhos e você também crerá.

– Está bem mãe. Já vou indo! – Ele retrucou, mostrando-se pouco convencido. Beijou a mãe e saiu levando consigo os apetrechos de pesca e a cesta de alimentos.

            Caminhou pela rua até uma casa mais adiante e teceu um assovio inusitado. Ao ouvir o som peculiar, dois meninos saíram aos solavancos pela porta.

– Demorou hoje, Bartô! Já estamos esperando há um tempão! – Disse o mais franzino, com seus encaracolados cabelos desalinhados. Seu nome era Tarso.

– Que nada Tarso, este era exatamente o horário combinado. – Retrucou Bartolomeu

– É que ele madrugou hoje, porque o galo da vizinha deu a cantar bem debaixo da nossa janela. Aí o moleque não me deixou dormir também! – falou Ceres, o irmão mais velho de Tarso.

– Já estão com tudo pronto? – Questionou-os Bartô.

– Sim, tudo pronto. – Adiantou-se Tarso.

– Então vamos lá!

Os três garotos partiram, então, para a aventura. Caminharam um bocado até avistarem o local da pesca. Já haviam estado lá várias vezes. Era chamado pelos moradores da vizinhança de mar de Tiberíades. Aproximaram-se e começaram a preparar suas varas. Lançaram-nas na água. Agora era ter paciência e aguardar. Nenhum deles era tão bom pescador, mas aprendiam o suficiente ouvindo as histórias dos pescadores das aldeias circunvizinhas que passavam por ali, e, aos quais, os três mancebos faziam sempre muitas perguntas. Sempre que sanavam suas dúvidas, os garotos marcavam uma pescaria para praticar o que haviam aprendido.

Mas parecia que aquele mar não estava para peixe. O sol já estava a pino e só haviam sentido umas poucas mordiscadas na isca. Foi então que Bartolomeu sentiu um puxão mais intenso e içou a vara com toda sua força. Logo, um peixe debatia-se dependurado no anzol. Os outros dois garotos ficaram ouriçados.

– Olha só, esse é grande, hein!? – Exclamou Tarso.

– Cuidado para não escapar! – Advertiu-o Ceres.

– Acho que vamos comer peixe assado hoje, hein?! – Gabou-se Bartô, colocando o peixe em uma bolsa de couro cru que tinha ao seu lado.

A captura do primeiro prisioneiro deu um ânimo extra aos três. Porém, como suas barrigas roncavam de fome, resolveram dar uma pausa para um lanche. Comeram as frutas que Bartolomeu levara e dois pães de cevada. Ceres e Tarso haviam levado cereais, que também foram degustados por completo.

Tendo satisfeito a sua fome, os garotos voltaram à batalha contra os habitantes aquáticos. Passou algum tempo sem nenhuma emoção mais forte. Mas, então, novamente, a vara de Bartolomeu tremeu com maior intensidade, e ele, num impulso, puxou-a fisgando seu segundo peixe.

– Ah, não vale! Só você que pega, Bartô! Deve ser sua isca! – Reclamou Tarso.

– Estamos usando a mesma isca! – Ceres disse ao irmão manhoso que lhe fez uma careta em resposta.

Bartolomeu decidiu ir preparando uma pequena fogueira enquanto os outros continuavam a labuta pela comida. Desta vez foi Ceres o felizardo. Uma enorme tilápia cravou a boca em seu anzol e ele, com muito esforço tirou-a da água.

– Puxa vida! Só eu que não pego! – Queixou-se Tarso.

            Bartolomeu colocou os peixes para assar. Em pouco tempo já estavam saboreando a apetitosa carne. Só a tilápia já foi suficiente para saciá-los. Como já tivesse passado do meio da tarde, resolveram voltar para casa. Bartolomeu enrolou os dois peixes que sobraram em papel e colocou-os dentro de sua cesta para os repartirem depois.

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