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Coragem

O que é: Dispor-se a tentar. Firmeza para enfrentar situações novas. Determinação para fazer o que for necessário.

Versículo para decorar: “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Josué 1:9

Exemplo bíblico: Davi – quando ainda moço e sem nenhuma experiência na guerra, Davi decidiu enfrentar o gigante Golias que estava afrontando o nome de Deus. Não quis armas nem armaduras. Foi apenas com sua funda e cinco pedras que escolheu. Ele fez isso para defender seu povo e seu Deus. (1 Samuel 17).               

Como as crianças podem por em prática esta virtude:

  1. Provar alimentos novos que sejam saudáveis.
  2. Dormir no escuro.
  3. Conversar com uma pessoa que convive e que nunca conversou antes.
  4. Tentar coisas que nunca fez antes com a supervisão dos pais.
  5. Se propor a decorar um texto bíblico grande.

Link para baixar o roteiro

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Atenção

O que é: Olhar, escutar e responder. Disposição para ouvir o outro. Concentrar-se em uma atividade.

Versículo para decorar: “filho meu, esteja atento as minhas palavras” Provérbios 7:24

Exemplo bíblico: Josué – Deus o instruiu exatamente o que ele deveria fazer para destruir Jericó. Quantas voltas dar, por quantos dias, quando tocar as trombetas. Ele ouviu atentamente cada detalhe e cumpriu exatamente da forma como Deus mandou. Assim conseguiram conquistar a cidade. (Josué 6)            

Como as crianças podem por em prática esta virtude:

  1. Fazendo contato visual ao ouvir o outro.
  2. Praticar ouvir a voz do pai e da mãe e responder imediatamente.
  3. Respondendo “sim, papai” ou “sim mamãe” quando receber instrução e fazer conforme foi dito.
  4. Ouvir a instrução até o fim e checar se compreendeu.

Arquivo para baixar e imprimir:

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Entusiasmo

Significa: Viver animado a cada dia. Ter alegria intensa, júbilo.

Versículo para decorar: “sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor.” Romanos 12:11

Exemplo bíblico: Miriã – após a travessia do mar Vermelho, quando o exército de faraó havia sido destruído pelo mar, quando Deus o fechou novamente, Moisés começou a cantar engrandecendo o poder de Deus. Miriã, sua irmã, pegou um tamboril e começou a tocar e dançar e todas as mulheres, vendo-a, imitaram-na.   

Como as crianças podem por em prática esta virtude:

  1. Cantando e louvando, pois este é o dia que o Senhor fez.
  2. Agradecendo a Deus ao longo de todo o dia.
  3. Correr para abraçar o papai, a mamão, irmãos quando chegarem em casa.
  4. Dizer; “Sim, mamãe” com um sorriso, quando ela pedir algo.
  5. Fazer os trabalhos e obrigações com alegria, como se houvesse uma recompensa ao final.

Você pode baixar o arquivo do roteiro aqui

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Generosidade

O que é: dar e/ou repartir com o outro aquilo que tem. Sacrificar algo seu pelo bem do outro.

Versículo para decorar: “que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar, prontos a repartir.” 1 Timóteo 6:18

Exemplo bíblico: Barnabé – um cristão da igreja primitiva, natural da ilha de Chipre. Era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. (Atos 11:24). Era muito rico. A Bíblia relata que ele vendeu um campo que possuia e deu todo o valor para ajudar os irmãos necessitados de Jerusalém (Atos 4:32-37).           

Como as crianças podem por em prática esta virtude:

  1. Fazendo uma lista te tudo que já receberam de outras pessoas.
  2. Agradecendo a Deus por tudo o que Ele lhe deu de forma específica.
  3. Doando um pouco de seu tempo e/ou alimento para alguém que precisa.
  4. Escolhendo alguns brinquedos, roupas, livros para doar.
  5. Dando ofertas missionárias

Baixe o roteiro para imprimir:

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Jesus está no barco!

E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram; E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo. E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos que perecemos. E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? Mateus 8:23-27

A passagem retrata uma cena apavorante. O barco, onde estavam Jesus e os discípulos, era varrido de um lado para o outro por ondas enormes. O vento uivava em seus ouvidos e arremessava a nau sem piedade contra as águas. Conhecendo os perigos do mar, os discípulos sabiam que estavam correndo risco de vida. Eles tinham motivos reais para temer. Enquanto isso, o Senhor Jesus, dormia.

Os doze que estavam com Jesus já haviam tido provas contundentes de Seu poder, sendo testemunhas de como Ele curara tanto leprosos, como o criado do centurião e, também, a sogra de Pedro. Mesmo assim, estavam aterrorizados. Mas Jesus estava no barco! Como eles poderiam temer? Se os discípulos conhecessem realmente, naquele momento, quem é que estava ali com eles, poderiam confiar e descansar totalmente, mesmo em face à morte iminente.

Hoje Jesus está no barco! Todo aquele que é nascido de novo, torna-se um “barco” habitado pelo Senhor Jesus.  No evangelho de João 14:23 lemos: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”. Então porque nós cristãos tememos diante das tempestades da vida? Talvez porque, assim como os discípulos, mesmo que Jesus habite em nós, não O conhecemos o suficiente para saber quem Ele é e confiar em Seu cuidado para conosco.

Os discípulos vinham testemunhando as obras que Jesus fazia por onde passava, mas ainda não tinham intimidade com Ele. Não são as maravilhas e milagres que Deus faz em nossas vidas ou nas dos outros que nos farão confiar mais nEle. Podemos, facilmente, nos esquecer destas coisas. Somente quando buscarmos conhecê-Lo e desenvolvermos um relacionamento íntimo com Ele, é que, ao invés de temer, desesperadamente, em face de uma tempestade da vida, poderemos nos aquietar ao Seu lado e descansar, confiando que as ondas e o mar lhe obedecem e que nada escapa aos Seus cuidados. Anos após este episódio do mar, aqueles mesmos discípulos deram a vida por causa de Cristo, pois passaram a conhecê-Lo profundamente. E quanto a nós, caminhamos para essa mesma disposição?

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Artigo: Sendo mãe em tempos difíceis – o exemplo de Noemi

Para ver um resumo do artigo em vídeo, clique aqui.

Grande parte de nós, mães, estamos passando por circunstâncias totalmente inusitadas nestes tempos de pandemia. Além da ameaça da doença, que por si só já traz muitos temores, há inúmeras outras situações que podem estar se configurando dentro dos lares, e despertando sentimentos de preocupação e stress. Alguns exemplos podem ser: ter que permanece com os filhos em casa o dia todo e ainda cuidar dos afazeres de rotina; precisar sair para trabalhar e deixa os filhos sozinhos; dar conta de auxiliar os filhos nos deveres de casa; o excesso de conteúdos exigidos pela escola; não poder sair com as crianças, principalmente as pequenas, para dar um passeio e gastar as energias, etc. A soma de tantas situações adversas pode vir a tornar-se, para a mãe, uma grande fonte de aflição e ansiedade. Em momentos como este é muito bom olhar para exemplos de mães que já passaram por momentos assim, pois isso nos ajuda a permanecer firmes e seguir em frente. Há uma mãe na Bíblia que passou por uma aflição muito grande. Porém, mesmo em meio a tamanho sofrimento, ela teve atitudes que a fizeram atravessar com perseverança este tempo difícil e vê-lo, pouco a pouco caminhar para um final glorioso e feliz preparado por Deus. Seu nome é Noemi e sua história está relatada no livro de Rute no Antigo Testamento.

Noemi e sua família pertenciam ao povo de Deus, os israelitas. Junto com seu marido Elimeleque e seus dois filhos, morava em Judá, na terra de Canaã. Certa feita eles decidiram deixar sua terra, pois estavam debaixo de grande fome. Mudaram-se para Moabe, uma região habitada por um povo idólatra, originário do relacionamento incestuoso de Ló com a filha mais velha. Nesta nova terra o marido de Noemi, Elimeleque, faleceu ficando ela só, com os dois filhos. Estes, com o passar dos anos, se casaram com mulheres moabitas e depois de quase dez anos morando em Moabe, Noemi recebeu um novo golpe. Seus dois filhos também morreram ficando ela totalmente desamparada. Não é possível dimensionar a dor no coração de uma mãe diante de tamanha tragédia. Mas mesmo em meio a uma aflição assim, esta mãe teve atitudes que muito nos ensinam e nos ajudam a enfrentar e passar por momentos difíceis. Vamos a elas:

  1. Noemi soube identificar uma boa notícia e reagir positivamente frente a ela:

Quando ficou sabendo que Deus tinha sido favorável à sua própria terra e dado pão ao seu povo sua reação foi de querer voltar para lá. Ela negou-se a mergulhar em um mar de autocomiseração e, reunindo as suas forças, dispôs-se a seguir adiante. É fantástico ver que foi a partir desta simples atitude de Noemi que outras boas notícias foram se seguindo, e, como num crescente, as coisas foram melhorando cada vez mais. Que mesmo em meio a tantas notícias ruins, cada mãe saiba identificar as boas notícias em sua vida e na vida de seus filhos e se alegrar com elas. Alguma habilidade que você ou ele desenvolveu, o tempo juntos que antes não tinham, um projeto engavetado que agora pôs em prática, uma maior intimidade entre vocês, poder fazer as refeições juntos. Certamente há o que ser celebrado.

  • Noemi era uma mãe corajosa:

Mesmo completamente desamparada e sem recurso nenhum, Noemi decidiu voltar para sua terra. Não sabia como seria sua vida, onde iria morar, como iria se sustentar. Além disso, ela teria que encarar a sua situação diante de todo o seu povo que a viu sair tão bem de lá. Ela teria que recomeçar a vida. Foi preciso muita coragem. Às vezes, a aflição é capaz de nos paralisar, pelo medo do desconhecido. Porém, Deus dá a força necessária para continuar caminhando sem desistir. Assim podemos seguir adiante e cuidar de nossos filhos com coragem para enfrentar novos desafios como ajudá-los nas tarefas, reaprender conteúdos que já havíamos esquecido, virar professora, descobrir novas maneiras de passar o tempo, arriscar novas rotinas e assim por diante.

  • Noemi erai uma mãe abençoadora:

Noemi recebeu as noras, Rute e Orfa, como filhas mesmo sendo mulheres moabitas. As duas a amavam muito e não queriam deixá-la só. No momento de partir, ela pensou mais nas “filhas” do que em si mesma e insistiu que ficassem em sua terra, talvez pensando que nenhum homem em Canaã se casaria com elas. Noemi pediu a bênção de Deus sobre as noras e preocupou-se e deixá-las em uma situação que lhes fosse favorável. Mesmo estando com o coração “amargo” como ela mesma disse, foi capaz de olhar para o próximo com compaixão. Que como ela, nós mães possamos ser capazes de abençoar nossos filhos e zelar pelo seu bem estar mesmo em momentos que não estamos bem. Podemos usar os nossas palavras para gerar vida e pedir o favor de Deus sobre eles. Toda palavra tem o potencial de vida ou de morte. Então, a despeito do que você esteja passando, incentive, estimule, valorize e valide seu filho.

  • Noemi oportunizava a salvação de seus filhos:

O testemunho de fé de Noemi, desde a morte de seu marido, foi contundente na vida de Rute, a qual veio a converter-se a Deus abandonando os deuses moabitas. Rute via na sogra um testemunho poderoso da grandeza de Deus, pois mesmo sofrendo ela não deixava de crer que Ele era soberano. Podemos mostrar aos nossos filhos o quanto cremos no Senhor e o quanto Ele é grande para cuidar de nós e controlar tudo o que acontece. Podemos apresentar o Senhor a eles através de nossas atitudes. Fale de Deus a eles, de sua grandeza e de como Ele é fiel para cumprir tudo o que disse inclusive a promessa de que iria sempre sustentar Seus filhos. Apresente a fé em Jesus Cristo como aquilo que é de maior valor para as nossas vidas.

  • Noemi era uma mãe acolhedora:

 Ela se importava com Rute e com a proteção dela. Morando elas agora em Canaã, Noemi estava atenta ao que acontecia na vida da nora, perguntando onde havia trabalhado, demostrando interesse e cuidado. Mostre aos seus filhos que você se importa com eles, pergunte a eles como se sentem, o que tem feito e como você pode ajudá-los, lembrando que tempos difíceis atingem a eles também. Aproveite este tempo de isolamento para conhecer mais quem eles são, quais os seus anseios, temores e sonhos. Envolva-se na vida deles desde pequenos e conforme eles forem crescendo terão prazer em compartilhar suas vidas com você.

  • Noemi era uma mãe sábia e que orientava:

Quando soube que Rute trabalhava no campo que era de Boaz, parente de Elimeleque, Noemi se alegrou, bendizendo ao Senhor. Ela viu a possibilidade de que Rute se casasse com Boaz e a orientou exatamente como devia proceder. Ela fez planos. Podemos, mesmo em meio a momentos difíceis, buscar sabedoria para orientar nossos filhos nas coisas que precisam executar e até ensinar novas lições de vida como dividir responsabilidades e organizar a rotina. Podemos vislumbrar futuro abençoado para eles e planejar isso juntos ajudando-os nas decisões a tomar.

  • Noemi era uma mãe paciente:

Entre os israelitas era costume que um parente do falecido se apossasse de suas terras e se casasse com a viúva, o que era chamado de resgate. Noemi soube que a prioridade era de outro resgatador, e não de Boaz, pois o outro era um parente mais próximo. Ela disse a Rute para que esperassem até que Boaz resolvesse a situação. As coisas não acontecem sempre na hora e da forma que desejamos. Aproveite este momento para desenvolver a paciência em relação aos seus filhos, ajudando-os no que for necessário. Muitas mães não conseguem manter a calma para ensinar lições escolares, mas é possível escolher outra área que tenha mais facilidade de ensinar e usá-la para desenvolver a paciência. Também espere com paciência o tempo deste momento difícil passar crendo que Deus está no controle.

  • Noemi era uma mãe esperançosa:

Noemi disse a Rute que Boaz não descansaria até resolver aquela situação. Ela sabia que ele faria o possível para ser o resgatador. Olhe para as circunstâncias esperando o melhor, o bem de Deus que virá delas. Encoraje seus filhos a olharem assim também para as pessoas e circunstâncias sabendo que Deus pode transformar qualquer mal em bem. Use exemplos bíblicos ou de biografias de pessoas que passaram por momentos difíceis e perseveraram firmes.

E então vemos o desfecho glorioso da história de Noemi, que teve como palco a aflição de uma mãe e que terminou com uma grande bênção. Uma vez que o primeiro resgatador renunciou ao seu direito Boaz, mais que depressa assumiu o resgate casando-se com Rute. O casal teve um filho, Obede, o qual o povo dizia ser “filho de Noemi”, pois ele iria cuidar dela em sua velhice. Obede foi o avó do maior rei de Israel, o rei Davi. E, desta linhagem nasceu Jesus Cristo. Há um plano muito maior do que podemos imaginar em cada situação de aflição que passamos, precisamos crer, confiar e prosseguir.

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A roupa de linho branco

No princípio de todas as coisas havia um reino feliz e próspero no qual reinavam juntos o Rei, o Príncipe e o Conselheiro, em uma unidade perfeita, chamada de a Triarquia. Os três haviam criado para si mesmos um povo especial, que lá vivia. Homens e mulheres, adultos e crianças foram feitos para viverem em união entre si e com os seus criadores. E não apenas isso, a Triarquia desejava proporcionar a este povo a alegria infinita que eles mesmos desfrutavam entre si e transmitir a todos do reino os atributos e virtudes que os três possuíam. Havia paz e harmonia. As pessoas viviam muito bem porque, na presença da Triarquia, todos os recursos necessários à vida eram acessíveis e inesgotáveis.

O reino se constituía de uma única e grande cidade, a qual era cercada por um muro alto, e ali o povo desfrutava de uma tranquilidade sem igual. Havia árvores em abundância e flores com perfumes tão deliciosos de fazer sonhar. Todos gozavam de plena saúde e nunca haviam conhecido doença alguma. As casas eram lindas, ornamentadas com ouro e pedras preciosas. As vestimentas feitas do mais fino tecido. Todos se adornavam com colares, braceletes e anéis de ouro. Os alimentos eram extremamente saborosos e não havia falta de nada. Tudo era concedido gratuitamente a quem desejasse.

O Rei amava profundamente cada pessoa que ali vivia, desde o menor até o maior. Ele alegrava-se em passear no meio deles, para saber como estavam e demonstrar-lhes o seu amor. E cada um que ali vivia tinha a mais profunda comunhão com o seu Rei e livre acesso a ele todos os dias de suas vidas.

Todo o povo havia recebido do Rei, do Príncipe e do Conselheiro uma característica que lhes era inerente, suas peles eram alvas como a neve, sem mácula nenhuma. Além da pele, todos os habitantes do reino possuíam roupas do mais puro e branco linho exatamente como as da Triarquia. As pessoas podiam fazer tudo o que era disponível a elas na cidade que nada lhes macularia a brancura da pele ou lhes sujaria as roupas. Sabiam que só poderiam estar na presença do Rei e ter comunhão com ele devido a esta condição, pois um rei cândido, só poderia ter comunhão com quem assim também fosse.

Qualquer um poderia desfrutar de todas as coisas que havia no reino, exceto por uma única restrição imposta pela Triarquia. Bem no centro da cidade, vários rubis, brilhantes como a escarlate, repousavam sobre uma rocha. Era a única pedra preciosa que não deveria ser utilizada para nada, por ninguém, e nem sequer poderia ser tocada. Mesmo admirando muito a beleza destas gemas, as pessoas contentavam-se em possuir as demais pedras que eram igualmente belas e permitidas. O Rei advertira ao povo de que, se alguém desobedecesse e tomasse um rubi, certamente todos sofreriam.

Certo dia, porém, uma jovem que por ali passava, ateve-se por um momento a contemplar os rubis. Um homem carrasco, que, sorrateiramente, penetrara no reino, havia se escondido atrás da rocha, e, notando o interesse da moça, começou a instigá-la com sua voz gutural, dizendo:

-Você ficaria linda com mais esta pedra, seria mais bonita do que todos aqui, até mesmo do que o Rei. Pegue uma, apenas uma.

Quanto mais ela olhava a pedra, mais linda esta lhe parecia. Seus olhos começaram a brilhar mais intensamente refletindo o desejo que crescia em seu coração de tomá-la. “Ficaria perfeita em meu bracelete”, ela pensou. Então, subitamente, vencida por sua vontade, ignorando toda a proibição, ela tomou para si uma pedra encaixando-a em sua joia. O carrasco desapareceu, com um sorriso maligno.

Neste exato momento, as roupas brancas da jovem foram tornando-se trapos sujos e velhos. Ela apavorou-se. Uma mulher que ali passava, foi até ela para tentar ajudá-la e, quando tocou no braço da moça, imediatamente suas roupas envelheceram também. Um grupo de pessoas se aproximou e, no instante em que as duas mulheres em trapos olharam para eles, o mesmo mal acometeu, assustadoramente, a todos. Dessa forma, pelo toque ou apenas pelo olhar, a mesma condição foi sendo transmitida rapidamente de um a um, até que todos no reino foram contagiados tornando-se imundos. Agora, somente o Rei, o Príncipe e o Conselheiro tinham suas roupas brancas como a neve.

O Rei, entristecido, mas ao mesmo tempo irado pela desobediência, pronunciou-se com voz firme e profunda, dizendo:

– Meu povo, mesmo amando a cada um de vocês, tornou-se agora impossível permanecerem em comunhão comigo, pois a condição foi rompida e agora todos estão destituídos da brancura necessária para estar em minha presença. Só resta-me uma coisa a fazer. Bani-los!

E, então, aquele povo, devido à sua transgressão, foi lançado para fora da cidade. Quando a última pessoa saiu, os portões foram fechados atrás deles e trancafiados para que ninguém voltasse. Tiveram que deixar tudo para traz, levando apenas a roupa suja do corpo. Agora estavam condenados a viver, para sempre, separados da tão amada Triarquia.

Com o passar dos dias, o povo encontrou uma região plana e árida e ali construiu para si uma nova cidade, porém nesta não havia paz nem harmonia. Pessoas disputavam entre si para saber quem ficaria com a melhor casa ou alimento, quem seria o líder, ou simplesmente quem trabalharia mais ou menos. A cada atitude destas, como mentiras, trapaças, ofensas e outras, pequenas manchas iam surgindo em suas peles e logo, ninguém mais possuía a pele totalmente branca. Doenças começaram a aparecer e o sofrimento tomou lugar na vida de cada um.

Para a aflição de todos, foi lançado um edito real, uma escrito de dívida anexado ao principal poste, no centro da cidade onde agora viviam, o qual dizia:

“Para que haja justiça frente à transgressão cometida cada um deve comparecer, ao dia marcado, diante da grande prisão na qual se encontra o carrasco. Lá estando, precisa pagar a ele por todas as manchas em suas peles, do contrário será agrilhoado para sempre no mais frio e escuro cárcere, sofrendo torturas eternas. O único preço aceitável para a absolvição: uma roupa de linho puro e branco.”

Todos, atônitos, perceberam que, diante de tal exigência, a condenação era certa, pois ninguém mais possuía tal roupa e não havia como consegui-la!

Anos se passaram e muitos foram sendo confinados à prisão. A dívida era impagável.

Foi então que, dentro do palácio da cidade real, o Rei e o Príncipe entreolharam-se. Chegara o momento. Cada um sabia o que deveria ser feito. O Príncipe desceu do trono e o Rei despiu-o de sua túnica, vestindo-o de trapos velhos e sujos. O Pai abraçou o Filho e disse-lhe:

-Você é meu Filho amado em quem tenho muito prazer!

O Príncipe caminhou resoluto e atravessou os portões, deixando para trás os muros da cidade real. Seguiu, então, em direção à cidade onde agora o seu povo vivia.

                Ao chegar lá, disse que ele era o Príncipe e proclamava:

– Trago-vos boas notícias de meu Pai! Ele ama muito o seu povo e por isso me enviou para salvá-los da condenação que pesa sobre cada um de vocês.

O Príncipe anunciava que no novo reino que seu Pai estava preparando iriam viver aqueles que acreditassem nesta boa notícia. Muitos ali, vendo-o, diziam entre si que era realmente o Filho do Rei que estava lá, semelhante a eles em suas roupas sujas, mas sem mancha nenhuma em sua pele. Outros duvidaram que pudesse ser ele, pois suas vestes não eram dignas de um príncipe, insultavam-no e o confrontavam. Chegaram até a maltratá-lo para que negasse que era o Príncipe, mas ele mesmo sofrendo afirmava sua filiação.

                Em meio às conspirações e críticas, o Príncipe permaneceu um tempo entre eles falando repetidamente da necessidade de se arrependerem de seu mau comportamento. E então, ao fim deste tempo, ele pronunciou-se:

– É chegada a minha hora de comparecer à grande prisão. Foi para esse momento que eu vim!

Porém, antes de ir até lá pediu para que todos se aproximassem e o tocassem. Neste momento algo maravilhoso aconteceu. Conforme o tocavam, suas manchas iam sendo transferidas para a pele branca do príncipe. Logo ele carregava todas as máculas de cada um que ali vivia.

O príncipe dirigiu-se à prisão, em angústia e dor, pois carregava sobre si a imensidão de todas as transgressões dos homens. Ele sofria amargamente antevendo o seu fim. Vendo-o daquela forma, o carrasco riu em deboche, colocou-o em grilhões e infringiu a ele torturas dez vezes pior do que o de costume. Dizia que se ele era mesmo filho do Rei, deveria salvar-se a si mesmo. Até aquele dia, o carrasco estava invicto.

Foi então que, passados três dias, o incrível aconteceu. O Rei, coberto de esplendor, atravessou a cidade dos homens e veio até a prisão. O carrasco estremeceu ao vê-lo e apavorou-se quando ele colocou um embrulho em sua frente. Tremendo, começou a abri-lo. Quando viu o conteúdo teve um sobressalto. Para sua completa derrota, diante dele estava nada menos do que uma roupa de linho puro e branco. Era a roupa do Príncipe. Neste exato momento a terra tremeu e os grilhões que o prendiam se romperam. De dentro da prisão, o Príncipe surgiu despido dos trapos, suas vestes e pele estavam alvas como a neve.

Ele retornou à cidade dos homens e dirigiu-se até o poste principal. Tomou em suas mãos o escrito da dívida rasgando-o completamente. Ele tinha pagado o preço por todos. Agora não havia mais condenação para aqueles que aceitassem o sacrifício que ele fizera. Por alguns dias mais, o Príncipe andou entre o povo, para que testemunhassem sua vitória. Disse que iria para o reino de seu Pai para preparar para eles um novo e maravilhoso lugar e, um dia, voltaria para buscá-los. Alguns dias depois, diante de muitas testemunhas, ele voltou para a cidade real.

Ao chegar lá, o Conselheiro olhou para ele. Agora era a sua parte. Desceu até a cidade dos homens e passou a andar entre eles lembrando-os do que havia acontecido. Sobre todos os que reconheceram e aceitaram o sacrifício que o Príncipe havia feito por eles, o Conselheiro colocou um manto de linho branco. Explicou que podiam novamente ter comunhão com o Rei, através do próprio Conselheiro, pois o Rei agora olhava para a roupa branca e não para os trapos por baixo dela. Disse ainda, que manchas continuariam surgindo em suas peles a cada atitude de transgressão, mas se houvesse arrependimento sincero e confissão pelo erro, no mesmo instante sua pele seria limpa novamente. Ele mesmo os ajudaria, convencendo-os a cada delito, e intercedendo por eles diante do Rei.

O Conselheiro também deu a cada um deles um brasão que serviria de garantia de que um dia eles viveriam novamente com a Triarquia na nova cidade que seria criada, como o Príncipe prometera. Dizia-lhes que quando este dia chegasse eles seriam despidos completamente dos trapos imundos e velhos e nenhuma mancha surgiria mais em suas peles. Viveriam eternamente na presença do Rei. Enquanto isso não acontecesse, ele, o Conselheiro estaria ali, junto deles, ajudando-os em tudo o que precisassem para conhecerem mais ao Rei e tornarem-se mais parecidos com o Príncipe em seu caráter imaculado.

E assim, vivem, ainda, estes homens que receberam a graça maravilhosa e totalmente imerecida de serem salvos da condenação eterna. Seguem crescendo em intimidade com o Conselheiro e em seus corações cresce uma ardente expectativa do dia em que o Príncipe voltará para buscá-los e levá-los nova cidade real. Lá não haverá mais tristeza e nem dor, eles serão coroados de alegria eterna e viverão eternamente com a tão amada Triarquia.

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Conversando com o medo (salmo 46)

Eu escuto um barulho na escada do apartamento: passos. A cada passo que escuto, sinto um aperto no meu coração. O aperto vai subindo para o meu pescoço, me sufocando: Medo.

Eu imagino que estou conversando com o medo e lhe pergunto: “Porque você está aqui?” Encontro a resposta no Salmo 46.1 e 2: Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem-presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares;
Eu repito para mim mesma: “O Senhor é meu refúgio e fortaleza, socorro bem presente na hora da angústia. O Senhor é o meu refúgio e fortaleza, portanto não temerei. Se o Senhor é meu refúgio e fortaleza eu não temo. Então, eu não tenho medo, porque o Senhor é meu refúgio e fortaleza.”

Agora, e se eu tenho medo? O que isto significa? Significa que o Senhor não é meu refúgio e fortaleza. Porque se fosse, eu não teria medo.
Eu olho novamente para o Medo, e ele responde a minha pergunta: “Eu estou aqui porque você me convidou para entrar. Porque você não fez de Deus o seus refúgio e fortaleza, e escolheu outros refúgios para você.”

Tudo isto começa fazer sentido para mim. Eu me lembro de ter assistido um documentário que ilustrava isto. Era história de uma garota que era gordinha e sofria bullying das colegas. Mas, um dia ela emagreceu, o bullying parou, ela cresceu e se casou. Mas, agora ela tinha pavor de engordar. E, quando comia, ela vomitava tudo nuns sacos de ziplock que ela guardava no guarda-roupa para esconder do marido.

O medo entrou na vida dela, ele foi convidado para entrar no dia que ela emagreceu. Naquele dia, ela deixou de dizer: “O Senhor é meu refúgio”. Mas, afirmou para si mesma: “Ser magra é meu refúgio e fortaleza, é o meu socorro nos momentos da angústia de bullying. “E esta história sempre se repete, perfeccionistas escolhem deixar tudo em ordem como seu refúgio fortaleza. Alcoólatras, escolhem o álcool, drogados, possuem outra forma de se esconder da dor. Podemos escolher amigos, parentes, hobbies, e a lista segue…

Mas é bom lembrar que o medo não chega só com os problemas. As vezes ele chega quando tudo dá certo. Quando o sábio se dá bem com a sua sabedoria, quando o forte vence por causa de sua força, quando o rico se livra por causa do seu dinheiro (Jeremias 9.23-24, Salmos 146.3). Nestes momentos em tudo está bem, abrimos a porta para esse perigoso inimigo, o medo. E, então, quando nossos falsos “deuses” se quebram, ouvimos a face assustadora do medo.

O som de passos na escada desaparecem. Mas, sinto que há alguém na minha porta do meu apartamento. Eu abro a porta: não há ninguém. Fecho a porta, mas o medo já entrou. Eu olho para o medo e vejo algo como o rosto de um vampiro. Os vampiros podem ser assustadores num filme de terror, mas mesmo eles estão debaixo de uma lei: vampiros não podem entrar em sua casa se você não os convidar a entrar.

Então, eu faço para mim mesma perguntas libertadoras, perguntas capazes de derrotar o meu inimigo:
Quando foi que eu convidei o Medo a entrar?
Quando foi que eu escolhi um refúgio feito de areia?
Porque, agora mesmo, não escolho Deus como meu refúgio e fortaleza?